Gestão Empresarial

A busca pelo desenvolvimento sustentável não é uma tarefa simples. Não se pode esperar que obtenhamos uma mudança desta magnitude na forma de gerar riqueza na economia apenas com melhorias incrementais na gestão, na produção e nos investimentos.

Para viabilizarmos uma economia capaz de atender às necessidades humanas em sintonia com a capacidade da natureza em prover seus recursos, precisamos de mudanças estruturais que alterem a forma como as empresas são geridas, produzem ou oferecem seus serviços e também na forma como os investidores decidem para onde seus recursos financeiros são destinados.

Uma missão importante do GVces é facilitar essas mudanças estruturais tão necessárias para a construção de uma nova economia. Para isso, o GVces atua junto às empresas, criando espaços de engajamento e articulação, gerando conhecimento para orientar uma gestão corporativa voltada para a sustentabilidade, e desenvolvendo instrumentos para apoiar os gestores nesta missão.

GESTÃO CORPORATIVA DE EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA

No século XXI, não há como falar de economia sem falar de mudança do clima. Os impactos das alterações nos padrões climáticos são o grande desafio da humanidade neste século, e a economia é uma frente crucial no esforço para mitigar os aspectos mais negativos desse fenômeno.

Muitas empresas e gestores já entenderam a importância e vêm internalizando a questão climática em sua estratégia de negócio, seja para reduzir o impacto climático de suas operações ou para identificar oportunidades de negócio no novo contexto econômico. O primeiro passo para a elaboração desta estratégia é a mensuração efetiva de suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) por meio de inventários corporativos.

Ricardo Lisboa / Yantra Imagens

O Programa Brasileiro GHG Protocol atua na fronteira da mensuração e do relato corporativo das emissões de GEE no Brasil. Lançado pelo GVces em 2008, o programa tem como objetivo difundir a cultura de publicação de inventários de emissões de GEE entre as empresas brasileiras a partir do método GHG Protocol adaptado para a realidade político-econômica do País. Além de capacitar as organizações no desenvolvimento de inventários de emissões de GEE, o programa também divulga essas informações na plataforma online Registro Público de Emissões.

No ciclo 2016, 336 inventários relativos ao ano de 2015 foram publicados por 136 organizações membros, um aumento de 7% no número de documentos e de 2% no número de participantes. Desde 2008, a participação de organizações no Programa cresceu 400%. Todos os dados foram apresentados durante o Evento Anual do Programa, realizado em agosto de 2016 no anfiteatro do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

De acordo com os dados consolidados dos inventários publicados em agosto de 2016 no Registro Público de Emissões, este grupo de organizações emitiu em suas operações (escopo 1) mais de 98 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) em 2015, montante que representa 9% das emissões nacionais de GEE (com base nas informações do Sistema de Estimativas de Emissões de GEE/SEEG do Observatório do Clima), excluindo-se as emissões por mudança no uso da terra.

Ricardo Lisboa / Yantra Imagens

No grupo de 136 organizações do Programa, as indústrias de transformação são as mais representativas, com 48 membros, seguidas pelos setores de atividades financeiras, de seguros e serviços (15) e de eletricidade e gás (12). A maioria esmagadora dos inventários publicados no RPE (94%) em 2016 traz todas as informações sobre as emissões de escopos 1 e 2 (emissões por consumo de energia). Do total, 49% dos inventários publicados estão completos e verificados por terceira parte acreditada (recebendo, assim, o Selo Ouro do Programa); 45% estão completos, mas não foram verificados (Selo Prata); e os 6% restantes estão parciais (Selo Bronze).

Além do trabalho de capacitação e apoio no desenvolvimento e divulgação de inventários, o Programa Brasileiro GHG Protocol também avançou em 2016 na adaptação do GHG Protocol Agricultural Guidance, as diretrizes desenvolvidas pelo World Resources Institute (WRI), organização responsável pelo método GHG Protocol, para mensuração, relato e verificação de emissões relacionadas a agricultura e mudança no uso do solo.

Ao longo deste ano, a equipe do GVces analisou as novas diretrizes e desenvolveu uma Nota Técnica para orientar as organizações participantes sobre o relato dessas emissões no inventário corporativo. Uma primeira versão da nota técnica foi publicada para apoiar as organizações que voluntariamente optaram pelo uso das diretrizes na elaboração de seus inventários relativos a 2015. No começo de 2017, uma nova versão da nota técnica foi apresentada pelo Programa, sendo que a sua utilização pelos participantes passará a ser obrigatória no relato de emissões relacionadas a agricultura, pecuária e mudança no uso do solo nos inventários relativos a 2016.

P22_ON: GESTÃO DE EMISSÕES

Se existe alguém que tende a ser pressionado de todos os lados quando se trata de gerir as emissões de carbono, este ator é a empresa. Para o cerco aumentar, é apenas uma questão de tempo.

Mais cedo ou mais tarde, as empresas terão de responder aos consumidores interessados em bens e serviços de baixo carbono e que pedem informações mais claras sobre os produtos. Precisarão lidar com a cadeia de valor, de modo a buscar fornecedores de insumos que também sigam diretrizes voltadas para a economia verde e a atender clientes corporativos mais exigentes.

Nessa mesma linha, serão pressionadas pelos governos, que tendem a impor regulações setoriais mais rígidas. Terão de atender também aos investidores, cada vez mais avessos ao risco representado por ativos intensivos em carbono.
Tem mais. Sofrerão pressões crescentes da sociedade civil e da opinião pública. Estarão sob o olhar vigilante dos organismos multilaterais envolvidos nos acordos globais de clima. E precisarão cuidar para não ficar atrás de concorrentes menos carbono intensivos na disputa pelos mercados.

Diante dessa enorme tarefa, as empresas que buscam uma posição estratégica na economia de baixo carbono devem se perguntar: “Por onde começo? ”.

Trecho da matéria “Pressão de todos os lados”, da edição sobre Gestão de Emissões da P22_ON (julho/2016)

FERRAMENTAS PARA GESTÃO DE RISCOS E OPORTUNIDADES RELACIONADOS A SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS

Não é apenas a questão climática que está despertando as empresas para a agenda ambiental: no Brasil e no mundo, gestores e executivos estão se conscientizando sobre as relações de dependência e de impacto entre seus negócios e os ecossistemas e constatando que não dá mais para o capital natural – o estoque limitado de recursos naturais que gera um fluxo de serviços úteis aos seres humanos – ser ignorado.

Se uma empresa quiser manter a perenidade de seu negócio, precisa garantir que os serviços ecossistêmicos continuem sendo prestados pela natureza para os atores econômicos. É nesse contexto que a valoração econômica e não-econômica surge como um instrumento para tangibilizar a importância dos serviços ecossistêmicos para as atividades empresariais. No entanto, um desafio prático para gestores é definir como quantificar esses serviços.

A Iniciativa Empresarial do GVces Tendências em Serviços Ecossistêmicos (TeSE) foi criada para preencher esta lacuna, com o desenvolvimento de ferramentas e métodos que facilitem a mensuração e a valoração dos serviços ecossistêmicos. A proposta da TeSE é apoiar as empresas nesse esforço, aprimorando sua capacidade de compreender e avaliar suas externalidades socioambientais, de incorporar suas dependências e impactos de serviços ecossistêmicos nas decisões de negócio, e de desenvolver estratégias para reduzir riscos e explorar oportunidades relacionadas a esses serviços.

Além de continuar seu esforço de capacitar gestores e profissionais de empresas-membros para utilizar as Diretrizes Empresariais para Valoração Econômica de Serviços Ecossistêmicos (Devese 2.0), a TeSE dedicou-se a apoiar as organizações na gestão empresarial de serviços ecossistêmicos., pois se percebeu ao longo dos ciclos anteriores que os gestores tinham dificuldades dentro das empresas em utilizar os resultados da valoração para auxiliar na tomada de decisão.

Gestão empresarial de de serviços ecossistêmicos

Para tanto, a equipe do GVces criou um grupo de trabalho (GT) que se reuniu duas vezes ao longo de 2016 para explorar como o capital natural pode ser incorporado na gestão empresarial, tendo como base a abordagem da iniciativa global TEEB (Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade) para gestão do capital natural. Nestes encontros, as empresas-membros refletiram sobre os principais riscos relacionados ao capital natural para os seus negócios, sobre como os escopos escolhidos para seus projetos de valoração contribuem para avaliar e mitigar estes riscos, e também puderam conhecer experiências e mecanismos implementados por outras organizações no Brasil.

Outro esforço da TeSE em 2016 foi apoiar a realização de 11 projetos de valoração econômica e dois pilotos de aplicação das Diretrizes Empresariais para a Valoração não Econômica de Serviços Ecossistêmicos Culturais (Desec 1.0) desenvolvidos pela Iniciativa durante o ciclo de 2015.

  • Evento Anual 2016 do Programa Brasileiro GHG Protocol
  • No ciclo 2016, 336 inventários foram publicados por 136 organizações membros do Programa no Registro Público de Emissões
  • Desde 2008, quando o Programa Brasileiro GHG Protocol foi criado, o número de participantes cresceu 400%
  • Evento Anual 2016 do Programa Brasileiro GHG Protocol
  • Quase 95% dos inventários publicados no ciclo 2016 estão completos, com informações sobre emissões diretas e por consumo de energia
  • Quase 90% dos inventários possuem dados sobre, ao menos, uma fonte de emissão da cadeia de valor
  • Evento Anual 2016 do Programa Brasileiro GHG Protocol
  • Evento Anual 2016 do Programa Brasileiro GHG Protocol
  • Capacitação do Programa Brasileiro GHG Protocol
  • Treinamento da Iniciativa Tendências em Serviços Ecossistêmicos (TeSE)