Água

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Nos últimos anos, os brasileiros se depararam com o agravamento de um desafio que pode parecer contraditório para o possuidor de uma das maiores reservas de água doce do mundo: a falta d’água.

Desde 2010, o Nordeste sofre com sua pior seca já registrada. Entre 2014 e 2015, o Sudeste viveu sua maior crise hídrica, com milhões de pessoas afetadas pelo desabastecimento de água, sem contar o prejuízo econômico decorrente da redução forçada da produtividade industrial dependente desse recurso natural. Mais recentemente, o Distrito Federal também vem sofrendo com a escassez de água.

Este cenário desafiador evidencia a necessidade dos governos, do setor privado e da sociedade de qualificar a forma como gerencia e consome a água no Brasil. Esta necessidade é reforçada pelos efeitos da mudança do clima no Brasil intimamente relacionado com os ciclos hidrológicos no País, aumentando, assim, a incidência de eventos extremos como estiagens e tempestades prolongadas.

Inspirado por esses desafios, o GVces vem aprofundando sua atuação no tema da gestão de recursos hídricos, apoiando empresas e governos a aperfeiçoarem suas práticas e desenvolverem novas soluções em face dos desafios colocados.

ENGAJAMENTO EMPRESARIAL NA AGENDA DE ÁGUA NO BRASIL

A experiência da crise hídrica de 2014-2015 no Sudeste e o agravamento da seca no Nordeste brasileiro foram importantes catalisadores no maior engajamento de governos e empresas na agenda, angariando esforços para repensar a gestão dos recursos hídricos, de maneira a prevenir ou elaborar melhores formas de lidar com o cenário crítico e os prejuízos decorrentes no futuro.

Para apoiar esta missão e facilitar a mobilização de outros atores em torno deste tema, as Iniciativas Empresariais do GVces – Ciclo de Vida Aplicado (CiViA), Plataforma Empresas pelo Clima (EPC), Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (ISCV), Desenvolvimento Local e Grandes Empreendimentos (ID Local), e Tendências em Serviços Ecossistêmicos) – reuniram esforços em 2016 para tratar de novas formas e medidas de gestão hídrica no contexto empresarial.

De maneira integrada, as Iniciativas Empresariais do GVces desenvolveram ações voltadas para orientação e capacitação dos gestores empresariais em ferramentas de gestão de recursos hídricos. A TeSE, por exemplo, deu foco especial aos serviços ecossistêmicos associados a este recurso (provisão de água, regulação da qualidade da água, e regulação da assimilação de efluentes líquidos), de forma a apoiar a gestão de dependências e impactos das empresas com relação à água. Já a CiViA capacitou gestores no desenvolvimento de estudos de pegada hídrica (que quantifica o total utilizado de água ao longo do ciclo de vida de um produto) e apoiou o desenvolvimento de projetos-piloto de ACV relacionados a água.

Em 2016, as Iniciativas Empresariais do GVces iniciaram uma agenda integrada de trabalho voltada para melhorias na gestão de recursos hídricos no Brasil

Na questão climática, a EPC apoiou as empresas no desenvolvimento de estratégias empresariais de adaptação à mudança do clima e na implementação de projetos-piloto. Com um olhar para o desenvolvimento territorial, a ID Local realizou uma oficina para discutir o papel das empresas na gestão hídrica, destacando a relação entre governança local e quantidade/qualidade de recursos hídricos na análise de risco de grandes empreendimentos.

Finalmente, o projeto ISCV promoveu uma seleção de casos empresariais brasileiros com soluções práticas a oportunidades e desafios ligados à gestão de recursos hídricos, como produtos e/ou serviços (novas tecnologias, modelos de negócio etc.), arranjos institucionais (participação em comitês de bacias, governança local, parcerias público-privadas etc.), integração estratégica do tema nos processos organizacionais (métodos e processos de gestão hídrica integrada ao planejamento estratégico e ao negócio da empresa), entre outros. A chamada reuniu 40 inscritos de todo o País, sendo que a equipe do GVces selecionou dez para serem apresentados às empresas membros das Iniciativas Empresariais em uma oficina especial, realizada em outubro na Fundação Bunge, em São Paulo.

Além das atividades de coformação e capacitação com os gestores, as Iniciativas Empresariais do GVces também realizaram uma viagem de campo, a Jornada Empresarial Terceira Margem. Em sua 3ª edição, a Jornada levou 13 representantes das empresas membros das Iniciativas para a região do Vale do Paraíba, entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, uma região que reúne elementos ligados a governança de bacias, com forte presença empresarial, projetos de pagamentos por serviços ambientais e outros projetos relacionados a recursos hídricos, que ilustraram a necessidade de um planejamento e atuação local e integrado.

Jornada Empresarial 2016
ADAPTAÇÃO E USO DE INSTRUMENTOS ECONÔMICOS PARA GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS

A maior frequência de eventos climáticos extremos no Brasil, como as secas no Nordeste e Sudeste e as inundações na região amazônica, e suas consequências sociais, econômicas e ambientais demonstraram a relevância de se aprofundar em análises e ferramentas que visem trazer maior resiliência e capacidade de resposta de governos e empresas à variabilidade climática.

Para algumas bacias hidrográficas, a necessidade de adaptação é latente. Este é o caso da Bacia do Piancó-Piranhas-Açu, localizada no Semiárido da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Imersa em uma seca severa há cinco anos, a região vive dificuldades sociais e econômicas graves decorrentes da falta de chuva e da escassez de água potável, limitada apenas a fontes artificiais, como açudes e barragens, além de caminhões-pipa.

Este caso ilustra bem o desafio do semiárido nordestino no contexto da mudança do clima, uma região apontada por estudos como uma das suscetíveis no Brasil aos efeitos das alterações climáticas globais. Medidas de adaptação à mudança do clima são fundamentais para esta região.

Neste sentido, a Agência Nacional de Águas (ANA) contratou o GVces em 2015 para desenvolver uma análise custo-benefício (ACB) de potenciais medidas de adaptação na Bacia Hidrográfica do Piancó-Piranhas-Açu.

Esta análise envolve projetar os usos e disponibilidades de água na bacia para o futuro para posteriormente avaliar os potenciais eventos de escassez passíveis de ocorrência. Em seguida, a perda econômica decorrente da falta de água é estimada a partir de métodos apropriados. Por fim, são levantadas as medidas de adaptação a serem avaliadas. Cada medida tem seu possível benefício hídrico e custo associado de viabilização. O objetivo final desta análise é aferir a relação entre custo e benefício de cada medida.

Ao longo de 2016, a ACB desenvolveu suas duas primeiras etapas, que consistiram em estimar a falta de água na bacia em um horizonte de 50 anos e a perda econômica associada a tal escassez. Para tanto, foram concebidos cenários climáticos de disponibilidade hídrica futura e desenvolvimento socioeconômico. Esta simulação, feita em um software de alocação de água, forneceu os déficits hídricos na bacia, que, por métodos de estimação, foram traduzidos em perdas econômicas.

Outro eixo do trabalho do GVces com a ANA é a análise sobre as possibilidades de adoção de instrumentos econômicos para a gestão de recursos hídricos em regiões consideradas críticas. Esta frente partiu de uma revisão conceitual sobre o racional econômico por trás da gestão da demanda de recursos hídricos, e, ao longo de 2016, direcionou esforços para analisar experiências internacionais em mercados de direitos de uso de água na Austrália, nos Estados Unidos e na Espanha e o papel potencial que instrumentos econômicos podem desempenhar para uma gestão mais eficiente e sustentável dos recursos hídricos no Brasil.

  • Oficina da Iniciativa Tendências em Serviços Ecossistêmicos (TeSE)
  • Jornada Empresarial Terceira Margem
  • Jornada Empresarial Terceira Margem
  • Jornada Empresarial Terceira Margem
  • Oficina da Iniciativa Ciclo de Vida Aplicado (CiViA)
  • Oficina das Iniciativas Empresariais do GVces sobre gestão de recursos hídricos
  • Fórum Anual das Iniciativas Empresariais do GVces
  • Apresentação das Diretrizes Empresariais para Valoração de Serviços Ecossistêmicos Culturais (DESEC) pela TeSE